terça-feira, 13 de março de 2012

Visão racional sobre o abuso de drogas na musculação



O consumo de drogas como anabolizantes vêm sendo registrados com grande freqüência em vários países, inclusive no Brasil. Atletas, fisiculturistas e especialmente jovens tem aderido a essa forma alternativa para ficarem com o corpo dos sonhos. Mas diversos estudos têm demonstrado os danos à saúde causados pelo uso dos anabolizantes.
Qual o custo que se paga por um corpo “ideal”? Partindo-se deste questionamento, percebe-se que na sociedade atual a corpo tem sido, cada vez mais, considerado um objeto passível de modelagem.  São diversas as formas que se têm para modelar, reparar, diminuir ou aumentar proporções, modificando-se a estética natural.  Dentre as ferramentas para efetivar estas transformações, os anabolizantes podem ser considerados uma via de baixo custo e acessível para quem deseja obter um modelo de corpo ideal. (Santos, André Faro e cols.,2006). As pessoas acabam aderindo aos anabolizantes por serem baratos e trazerem o que eles buscam, ou seja, um resultado desejável em um curto espaço de tempo. Porém, não se dão conta que isso pode trazer um sério risco a saúde e aos próprios músculos do corpo.
A utilização dos anabolizantes pode ser feita por meio da ingestão oral ou aplicação intramuscular. Os usuários costumam fazer o uso em ciclos, em que doses maiores são aplicadas progressivamente, com um intervalo de tempo que pode variar de 4 a 18 semanas (Araújo, 2003). Juntamente com essas drogas o individuo também faz um treinamento muito rigoroso, não respeitando os limites do seu corpo, muito pelo contrario, ultrapassando-os e causando sérias lesões. A pessoa leva muito a sério o treinamento, deixando de ter vida social e ainda influenciando os outros colegas da academia a fazerem o mesmo.
Em 2001, o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID) realizou o 1º levantamento domiciliar  sobre  o  uso  de  drogas psicotrópicas no Brasil, encontrando um índice de 0,6% para  o  uso  de  anabolizantes  entre  as  107  maiores cidades  do  país  (Carlini,  Galduróz,  Noto,  &  Nappo, 2002),  índice  que  corresponderia  a  aproximadamente 130.000  pessoas  entre  as  cidades  pesquisadas (Galduróz, Noto, Nappo & Carlini, 2005). Esses dados mostram que ainda é muito alto o índice de uso de drogas entre as cidades pesquisadas. Nas academias e centros de treinamento é cada vez mais comum o uso de anabolizantes. Muitas pessoas acabam procurando esses estabelecimentos para ficarem com um corpo de fisiculturista, treinam bastante e intensamente, observam que não estão tendo resultado e apelam para os anabolizantes. Indicando posteriormente para outras pessoas, virando um ciclo vicioso.
O uso indevido dessas drogas pode acarretar inúmeros problemas como: Nos Homens e adolescentes a redução da produção de esperma, impotência, dificuldade ou dor em urinar, calvície e crescimento irreversível das mamas (ginecomastia). Nas Mulheres e adolescentes: aparecimento de sinais masculinos como engrossamento da voz, crescimento excessivo de pelos no corpo, perda de cabelo, diminuição dos seios, pelos faciais (barba). Em pré-adolescentes e adolescentes de ambos os sexos: finaliza, prematuramente, o crescimento deixando-os com estatura baixa para o resto de suas vidas.Em homens e mulheres de qualquer idade: aparecimento de tumores (câncer) no fígado, perturbação da coagulação do sangue, alteração no colesterol, hipertensão, ataque cardíaco, acne, oleosidade do cabelo e aumento de agressividade que pode manifestar-se em brigas.(Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas).Observa-se que em todas as idades e independentemente do sexo do individuo o uso de anabolizantes trará algum malefício, ocasionando futuramente problemas muito sérios de saúde.
Essas drogas são medicamentos, portanto, não são ilícitas no Brasil. Para utilizá-las é necessário existir uma receita médica. Os que fazem uso delas para fins estéticos, ou seja, sem indicação médica, se forem pegos utilizando podem sofrer conseqüências por isso. O COI (Comitê Olímpico Internacional) proíbe o uso dessas drogas por atletas. Realizam testes anti-doping e caso seja detectado que o atleta está fazendo uso dessas drogas o mesmo poderá sofrer duras penas.
Os esteróides anabólico-androgênicos, comumente chamados simplesmente de anabolizantes, são substâncias sintetizadas em laboratório, relacionadas aos hormônios masculinos (androgênios). Essas substâncias aumentam a síntese protéica, a oxigenação e o armazenamento de energia resultando em incremento da massa muscular e de sua capacidade de trabalho. (Iriart, Andrade, 2002). Por causar tal inchaço no músculo, os anabolizantes são vulgarmente chamados de bombas, ou seja, o músculo fica “bombado”.
Entre os esteróides androgênicos, os mais utilizados são: Durateston (Testosterona), Stradon P (Testosterona + Estradiol) e Deca-durabolim (Nandrolona). Os hormônios femininos mais utilizados são os anovulatórios Uniciclo(Algestona e Estradiol) e Premarim. (Iriart, Andrade et al.,2002). Porém, pessoas de baixa classe social, as quais não têm condições financeiras para comprar tais anabolizantes, se sujeitam a utilizar produtos mais baratos, alguns até de uso veterinário. O que com toda certeza não trás resultados eficazes e pioram mais ainda a saúde do individuo.
Contudo, pode-se dizer que o desejo de alcançar o corpo dos sonhos e fazer crescer cada vez mais a massa muscular do corpo, se sobrepõe a vários riscos que o atleta sabe que pode vir a sofrer. Esses indivíduos atravessam qualquer barreira para atingir o corpo ideal, passando por cima até mesmo de sua saúde, o que para a maioria dos seres humanos é algo de extrema importância. O risco sofrido por esses atletas pode ser interpretado como uma aventura ou capricho, tal fato os asseguram que nenhuma fatalidade irá acontecer com eles.
 Baseado na disciplina 'Biomedicina do Exercício no Esporte' ministrada pelo Prof. Dr. André Bellin Mariano.

Aluna: Tamyres Jorge de Oliveira, Biomedicina
Orientador: Prof. André Bellin Mariano, D.Sc.

Referências Bibliográficas

  • ARAUJO, J.  P. (2003)O uso de esteróides androgênicos anabolizantes  entre  estudantes  do  ensino  médio  do Distrito  Federal.  Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação  em  Educação  Física,  Universidade Católica  de  Brasília,  Brasília.  Disponível em: <http://www.bdtd.ucb.br>. (Acesso em 09/10/2011).
  • SANTOS, A.F., MENDONÇA, P.M.H., SANTOS, L.A., SILVA, N.F., TAVARES, J.K.L. Anabolizantes: Conceitos Segundo Praticantes de Musculação Em Aracaju (Se). Psicologia em Estudo, Maringá, v. 11, n. 2, p. 371-380, mai./ago. 2006.
  • CARLINI, E. A., GALDURÓZ, J. C. F., NOTO, A. R. & NAPPO, S. A. (2002).  I Levantamento domiciliar sobre o uso de drogas  psicotrópicas  no  Brasil:  estudo  envolvendo  as 107 maiores cidades do país – 2001. Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), UNIFESP, Universidade Federal de São Paulo. Disponível em: <http://www.unifesp.br>.  (Acesso em 09/10/2011).
  • GALDURÓZ, J. C. F., NOTO, A. R. & NAPPO, S. A., & CARLINI, E.A.(2005,Out.). Uso de drogas psicotrópicas no Brasil: pesquisa domiciliar envolvendo as 107 maiores cidades do país – 2001.  Revista Latino-Americana de Enfermagem, 13.  Disponível em: <http://www.scielo.br>.(Acesso em 09/10/2011).
  • Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. Esteróides anabolizantes. Disponível em <http://www.unifesp.br/dpsicobio/cebrid/quest_drogas/esteroides_anabolizantes.htm> (Acesso em 09/10/2011).
  • IRIART, J.A.B., ANDRADE, T.M. Musculação, uso de esteróides anabolizantes e percepção de risco entre jovens fisiculturistas de um bairro popular de Salvador, Bahia, Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 18(5):1379-1387, set-out, 2002.

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