quinta-feira, 8 de março de 2012

O uso da Biotecnologia


Embora o uso da Biotecnologia pareça ser recente, ela já ocorre há mais de seis mil anos através da utilização de microrganismos na produção de produtos fermentados como a cerveja e o pão. Contudo, o aprimoramento das técnicas de manipulação genética e o aprofundamento na Biologia Molecular são adventos recentes da história da Biotecnologia.Num primeiro momento durante sua história, a Biotecnologia esteve voltada principalmente para a saúde. Em 1929, a fabricação de antibióticos como a penicilina produzida pelas culturas de Penicillum notarum foi descoberta por Alexander Fleming (Bennett & Chung, 2001). Em 1953, James Watson e Francis Crick descreveram a estrutura do DNA.
Na década de 1970 ocorreu o início das metodologias de uso do DNA recombinante e do sequenciamento do DNA que proporcionaram grandes avanços na ciência de plantas. Com relação as contribuições da Biotecnologia na área da Bioenergia, diversos questionamentos de ordem econômica e ética surgem quando se trata do tema.
Diante das previsões de crescimento populacional mundial, atingindo nove bilhões de habitantes em 2050 (Ash et al., 2010), existe o desafio de criar métodos avançados e eficientes para aumentar a produção de alimentos e energia renovável sem, contudo, esgotar os recursos naturais. Em 2050, o mundo provavelmente estará vivendo sob a influência de três grandes crises anunciadas: a diminuição das reservas de petróleo, a escassez de água potável e a falta de alimentos para grande parte da população. Nesse cenário, a biotecnologia ocupa papel central na busca de soluções para atenuar os problemas, atuais e futuros, causados pelo estilo de vida adotado pelo homem. Além de ser o pioneiro na produção da bioenergia para uso em transporte automotivo, até recentemente, o Brasil era o único país a possuir um programa para a substituição dos combustíveis fósseis - o Proálcool.
No Brasil, o desenvolvimento do etanol combustível mostrou ser uma alternativa viável para reduzir a dependência do petróleo.  Entretanto, a maioria das regiões agriculturáveis do planeta não possui as condições edafoclimáticas necessárias para o cultivo de plantas com potencial para a produção de biocombustíveis. Em contrapartida, o cultivo extensivo e exclusivo de plantas para a produção de energia pode gerar problemas no abastecimento de alimentos para a população, como escassez e elevação de preços. Nesse contexto, a biotecnologia se insere como propulsora para o aumento da produtividade, da qualidade da produção e para o desenvolvimento de plantas adaptadas a diversas condições ambientais de espécies com potencial energético. Em adição, a biotecnologia atua no desenvolvimento de outras fontes de bioenergia como a produção de biocombustíveis a partir de algas transformadas geneticamente (Beer et al., 2009).
A produção de biodiesel, uma realidade na Europa e nos Estados Unidos, deve constituir, no Brasil, uma meta mais ambiciosa, tanto em termos de defesa do meio ambiente, quanto da geração de empregos no campo, portanto, de cunho social. Produzimos, com eficiência, plantas oleaginosas cujos frutos, reagindo com o álcool, dão origem ao tipo de combustível próprio para os motores de auto-combustão. Já dominamos plenamente a tecnologia para a transformação dos óleos vegetais em rica fonte de energia, matéria-prima para o biodiesel. 
Dentre as oleaginosas disponíveis, a soja é a campeã, em termos de custo e de volume de produção, por permitir uma forma de agricultura mecanizável, podendo assim ocupar grandes áreas e abrindo campo para altos investimentos. Os benefícios, que o Brasil vem obtendo com isso, têm sido muitos em termos de fortalecimento da agricultura e da agroindústria, com a geração de empregos e desenvolvimento tecnológico.
Contudo, com o surgimento dos problemas ambientais, climáticos e a escassez de energia, a demanda por profissionais qualificados aumentou consideravelmente nos últimos anos.   Assim, é de suma importância a capacitação de profissionais de qualidade neste promissor setor de pesquisa. A formação de biotecnólogos que entendam os processos e as questões relacionadas ao meio ambiente e o desenvolvimento sustentável passam a ser extremamente importantes, principalmente na obtenção de novas fontes de energia, diminuindo as desvantagens e os riscos da expansão energética sem depender da diminuição da produção de alimentos e aumentos dos preços, além dos desmatamentos.
Baseado na Disciplina ‘Tecnologias Limpas e Biocombustíveis’ ministrada pelo Prof. Dr. André Bellin Mariano.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASH, C. et al. Feeding the future. Science, v.327, p.797, 2010.     
BEER, L. L. et al. Engineering algae for biohydrogen and biofuel production. Current Opinion in Biotechnology, v.20, n.3, p.264-71, 2009. 
BENNETT, J. W; CHUNG, K.-T. Alexander Fleming and the discovery of penicillin. Advances in Applied Microbiology, v.49, p.163-84, 2001. 

Autor: Bruno Miyawaki

Orientador: Prof. André Bellin Mariano, D.Sc.
  

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