quinta-feira, 30 de junho de 2011

Recursos Ergogêncios - Cafeína e Creatina


1 INTRODUÇÃO

            De um modo geral, recurso ergogênico pode ser definido como todo produto, processo ou procedimento que melhore o desempenho físico ou possa ser entendido como tal. A tecnologia detém uma grande porção desses recursos, através do desenvolvimento de roupas e equipamentos que aprimoram as performances dos atletas. Podem-se citar as inovadoras roupas que aceleram a evaporação do suor com intuito de aperfeiçoar a troca de calor, os calçados preparados para absorver melhor o impacto e devolvê-lo de forma eficiente para o próximo passo, as bicicletas construídas de forma a deixar o atleta com a inclinação ideal para devido tipo de competição, entre outros.
            A alimentação adequada, suplementos alimentares, medicamentos e até mesmo a música podem ser considerados recursos ergogênicos, ou seja, podem melhorar o desempenho físico. A creatina e a cafeína são suplementos utilizados por atletas que supostamente melhoram a performance. O uso de creatina como recurso ergogênico tem despertado interesse pelos pesquisadores, visto que vários estudos evidenciam um efeito positivo quanto ao aumento de força e massa muscular (JUNIOR et al., 2005). Esta substância é produzida pelo organismo (cerca de 1g/dia) e ingerida na dieta completando as necessidades diárias (2g/dia). Sua principal fonte é a carne vermelha e quantidades insignificantes são encontradas em vegetais. A musculatora esquelética alberga 95% da creatina total do organismo e utiliza esta substância no fornecimento de energia para o desempenho de exercícios físicos (MORAES et al., 2004).
            A cafeína é consumida no mundo todo e especula-se que 80% da população mundial faz uso da substância, sobre tudo na forma de chás e café. Segundo Coonlee, (1991), o consumo de baixa dosagem (2mg/Kg), provoca aumento no estado de vigília, diminuição da sonolência, alívio da fadiga, aumento da freqüência cardiorespitória, da liberação de catecolaminas e da diurese. Atletas consomem a substância que parece possuir efeito satisfatório nos exercícios de endurance.

2 RECURSOS ERGOGÊNICOS

2.1 MÚSICA

            A literatura vem demonstrando que a música tem sido explorada para melhorar o desempenho dos indivíduos, devido aos seus efeitos ergogênicos. Sendo assim, existem algumas explicações que possivelmente fundamentariam tais efeitos: a música poderia reduzir a atenção do atleta às sensações de fadiga durante o exercício e tenderia a promover um estado de humor mais positivo; poderia também, alterar o nível de excitação psicomotora e ser usada tanto como um estimulante quanto um sedativo antes e durante a atividade física; durante a atividade submáxima contínua, o organismo tem uma predisposição para reagir ao elemento melódico da música; seria uma sincronização entre o ritmo da música e o movimento do indivíduo.
            Considerando todos os mecanismos mencionados anteriormente, parece provável que ouvir uma música preferida durante a prática de exercícios e/ou atividades desportivas poderiam aumentar os níveis de satisfação e adesão dos participantes, além de melhorar o desempenho em atividades de alta ou baixa intensidade.

2.2 ALIMENTAÇÃO

            Uma dieta prescrita de maneira adequada, pode otimizar os depósitos de energia para a competição, o que pode fazer a diferença no resultado final em atividades que demandem volume e variadas intensidades. Além disso, traz benefícios importantes para a saúde orgânica do atleta, diminuindo as possibilidades de doenças que possam afetar seu condicionamento físico. A dieta pode influenciar seu desempenho atlético e a confiança no consumo de certos alimentos pode conferir uma vantagem psicológica particularmente importante para o atleta. Atletas submetidos a constante treinamento e a grandes volumes de atividade física intensa têm requerimentos nutricionais diferentes quando comparados com indivíduos não atletas (REBELLO et al., 1999). Durante o exercício ou competição é importante que a reposição hídrica e de sais minerais ocorra de maneira adequada e satisfatória, visto que o rendimento atlético é diretamente influenciado pela depleção destas substâncias, além dos riscos à saúde que tal depleção pode causar.

2.3 CREATINA

            Atualmente designada como substância nutricional é um importante recurso ergogênico. Largamente utilizada concomitante a prática de exercícios físicos, seu uso melhora o desempenho quando se trata de exercícios de curta duração e alta intensidade, como é o caso dos treinos de academia e competições que exigem explosão muscular. Além de representar uma reserva energética de uso imediato para a célula muscular, seu potencial osmótico favorece um maior fluxo de água e sais para dentro das mesmas. Sendo assim, o uso da creatina pode representar uma suplementação alternativa ao abuso dos esteróides anabolizantes. A creatina é produzida em órgãos como rins, fígado e pâncreas. Depois de sintetizada é detida pelos músculos (cerca de 95%) e fosforilada assim que absorvida pela célula muscular. Uma vez ligada a um fosfato, a creatina pode ceder este ao ADP (difosfato de adenosina), restabelecendo os níveis de ATP, imprescindíveis para a contração muscular. A ergogenia da creatina se dá em exercícios de alta intensidade e curta duração, provavelmente porque uma nova fosforilação é dependente de O2.
            Quanto ao seu possível efeito prejudicial à função renal, a literatura apresenta dados muito conflitantes. Muitas publicações científicas evidenciam o dano a função renal de humanos, porém apresentam falhas metodológicas que comprometem seus resultados. Em contra partida, alguns trabalhos demonstram a não existência de comprometimento à filtração renal. Gualano et al. (2008), observou que uma suplementação de ~10 g/dia de creatina durante 3 meses não prejudicou em absolutamente nada a função renal. Para a avaliação da função renal foi utilizada a cistatina C, uma proteína que segundo o próprio autor, pode proporcionar uma avaliação muito fidedigna da função renal.
            As principais formas de comercialização são o pó e as cápsulas que atualmente estão liberadas para comercialização, desde que apresentam a forma mono hidratada da substância. A utilização da substância também é permitida pelo COI (Comitê Olímpico Internacional).

2.4 CAFEÍNA

            A cafeína é uma das drogas mais consumidas em todo o mundo. A utilização por atletas, com a intenção de melhorar a performance, tem se tornado popular nas últimas décadas, devido aos estudos sobre seus efeitos ergogênicos. A cafeína é um alcalóide pertencente ao grupo das drogas classificadas como as metilxantinas. Atualmente, o COI classifica a cafeína como uma droga restrita, considerando-a positiva em concentrações acima de 12 mg/L, na urina. A cafeína afeta quase todos os sistemas do organismo, sendo que seus efeitos mais óbvios ocorrem no sistema nervoso central. Em altas dosagens (15 mg/kg) causa nervosismo, insônia, tremores e desidratação. A possibilidade de que a cafeína possa exercer algum efeito ergogênico nos exercícios de longa duração vem sendo investigada por diversos pesquisadores, desde a década de 70. A partir de então, abriu-se um vasto campo de investigações acerca dos possíveis benefícios causados pela cafeína na performance de endurance (ALVES, 2000). Diferente da creatina a cafeína parece melhorar a performance devido a 3 principais ações: aumento da lipólise; favorecimento da liberação do cálcio pelo retículo sarcoplasmático com maior tempo de ação deste íon sobre as miofibrilas (actina e miosina); favorecimento da liberação de catecolaminas. Tendo o exposto, faz sentido que a cafeína contribua com os exercícios de longa duração, pois nestes a energia é oriunda principalmente da degradação de lipídios.
            A ANVISA permite a comercialização da substância, como suplemento alimentar para atletas na dose de 210-420mg por porção, sendo que a principal forma de apresentação é a cápsula.

3 CONCLUSÃO

            O conhecimento dos recursos ergogênicos, sua ação e benefícios são muito importantes no contexto atual, haja vista a necessidade da prática de exercícios físicos. O conhecimento de tais recursos por profissionais da área – como o Biomédico – pode proporcionar a tais profissionais a oportunidade de participação em equipes multidisciplinares de apoio a atletas. Para os praticantes de esportes a nível profissional, faz-se importante o conhecimento de recursos ergogênicos como a alimentação adequada, que além de colaborar com o desempenho, contribui com a homeostasia do organismo.
           
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALVES, L. C. B. M. P. A cafeína como recurso ergogênico nos exercícios de endurance. Rev. bras. ciên. e mov, v. 8, n. 3, p. 33-37, 2000.
FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO. O efeito da música sobre o desempenho em atividade física. Disponível em: http://fisiologiadoexercicio.blogspot.com/2010/12/o-efeito-da-musica-sobre-o-desempenho.html. Acesso em: 05 jun 2011.
GUALANO, B.; UGRINOWITSCH, C.; SEGURO, A. C.; JUNIOR, A. H. L. A suplementação de creatina prejudica a função renal? Rev bras med esporte, v. 14, n. 1, p. 68-73, 2008.
JUNIOR, T. P. S.; DUBAS, E. J. P.; FEFIS-UNIMES; BENEDITO, P.; USP.; OLIVEIRA, P. R.; UNICAMP. Efeitos da suplementação com CrH2O sobre a quimioluminescência urinária em universitários submetidos a 8 semanas de treinamento de força. Conexões, v. 3, n. 2, p. 170-179, 2005.
MORAES, M. R.; SIMÕES, H. G.; CAMPBELL, C. S. G.; BALDISSERA, V. Suplementação de monoidrato de creatina: efeitos sobre a composição corporal, lactacidemia e desempenho de nadadores jovens. Motriz, v. 10, n. 1, p. 15-24, 2004.
REBELLO, L. C. W.; SILVA, P. R. S.; TEIXEIRA, A. A. A.; VIDAL,  J. R. R.; OBERG, A. A. R. B.; JUNIOR, A. F.; ROCHA, F. O. A importância da avaliação nutricional no controle da dieta de uma equipe de jogadores de futebol juniores. Rev bras med esporte, v. 5, n. 5, p. 173-178, 1999.

Aluno: Anderson Matias Ramos, Biomedicina.

Orientador: Prof. André Bellin Mariano, D.Sc.

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