domingo, 3 de abril de 2011

Aquecimento Global e Mecanismos de Desenvolvimento Limpo

 Dizer que o planeta pode ter um aumento de temperatura entre 5 ou 6 graus centígrados, soa indiferente ou até mesmo agradável principalmente para indivíduos que vivem em locais frios. Mas vamos fazer uma comparação:

A temperatura ideal para manter a homeostasia do corpo humano fica em torno dos 36, 37 graus, basta aumentar um ou dois graus que nosso organismo entra em estado febril. Se essa temperatura permanece por um longo período todos os sistemas que mantêm o perfeito equilíbrio do corpo humano entra em colapso, se  a temperatura corpórea não entrar no níveis ideais fatalmente vai-se a óbito.
O Planeta Terra não é inanimado, sem vida, muito pelo contrário é uma explosão de biodiversidade. Como um ser vivo que é, a Terra a milhões de anos em seu processo evolutivo, desenvolveu-se para chegar a sua homeostasia. Com relação a temperatura, os gases do efeito estufa que são Nitrogênio Oxigênio ,Vapor de água, Argônio,Dióxido de Carbono,Neon ,Hélio e Metano, são os responsáveis pela regulação ideal da temperatura no Planeta, regulação esta responsável por tornar a Terra entre outros fatores um ambiente favorável para gerar a vida, único em nosso sistema solar.
Fazendo a analogia entre a temperatura da Terra e a do corpo humano, pode-se considerar que qualquer aumento a partir de 2 graus centigrados incentivado pela alteração no equilíbrio dos gases de efeito estufa, está levando o Planeta a um estado febril.
Imagine agora com um aumento de 5 ou 6 graus centígrados na sua temperatura corpórea, transfira isso para um organismo vivo como o Planeta Terra.
Sim, a Terra está doente, com todos os seus sistemas onde não pode-se esquecer que estamos inseridos, está entrando em colapso.
Portanto imaginar que um aumento na temperatura terrestre é algo separado de nós, que não nos diz respeito, ainda é uma visão egocêntrica, alienante.
É importante despertar a consciência da unidade, onde toda a vida deste planeta nas suas variadas nuances e expressões está interligada, qualquer ação movimenta uma reação.
Enquanto o ser humano continuar a agir como um vírus que parasita, aniquilando todos os recursos dos seu hospedeiro para se multiplicar com a mentalidade separatista, individualista, entraremos e junto conosco todas as formas de vida em um caminho de autodestruição.
Nos Protocolos e conferências, como a Rio 96, protocolo de Kyoto e Copenhagem, para tentar encontrar mecanismos para conter o super aquecimento global que seria valores acima de 5 graus(já que o Planeta encontra-se agora em processo de  aquecimento sendo esperado até 2050 um aumento previsto de 2 graus centigrado).
Muito se fala sobre as emissões de gás carbônico como sendo o maior causador do aquecimento global, e realmente é, vindo da queima de combustíveis fósseis, queima da biodiversidade vegetal etc. Porêm pouco é falado sobre o gás metano, que  responde por um terço do aquecimento do planeta. A sua capacidade de reter calor na atmosfera é 23 vezes maior que a do gás carbônico.  As emissões deste gás é proveniente dos lixos, cultura do arroz e principalmente da pecuária, responsávle por cerca de 28% das emissões mundiais.
O gado possui dois estômagos, as bactérias anaeróbicas metanogênicas são as responsáveis por metabolizar o pasto, como resultado final deste processo tem-se o gás metano que é liberado através da ruminação constante do gado. Outro agravante que fortalece o aquecimento global nessa atividade humana, a pecuária, é o desmatamento de florestas, matas e cerrado para a criação de pastagem
As árvores são grandes captadores do gás carbônico. Quando ocorre o desmatamento além da diminuição de captação do CO2, ainda é liberado o gás carbônico que estava armazenado na terra e onde há pastagem com o constante pisotear do gado a terra torna-se arenosa, compacta e infértil, aumentando ainda mais a refração dos raios solares para a atmosfera.
Portanto a humanidade precisa urgentemente rever todo o seu sistema de vida e consumo, o planeta não suporta mais a atividade capitalista como hoje se apresenta, não há nada de errado em se ter dinheiro, em almejar sucesso profissional ter suas conquistas materiais, mas a mentalidade atual desse “capitalismo viral”, onde poucos ganham milhões e prol do emprobecimento da maioria e dos recursos naturais, onde projetos, ideais que podem beneficiar muitos deixam de ser desenvolvidos porque não dará um lucro exorbitante, deve parar de existir, devemos sim, reaprender a viver com menos desperdício, ganância e egoísmo.
É o que se percebe nas famosas conferências e protocolos, sempre no seu final saindo com quase nada de concreto e prático, pois ainda os interesses particulares, capitalistas extrativista, estão acima do bem comum.
Visto é os países, que mais contribuem para o efeito estufa, EUA (20%), negando-se a diminuir suas emissões e a China (15%), sendo o grande berço do consumo desenfreado atual da humanidade, com sua fonte energética sendo a queima de árvores.
Uma das soluções para atingir as metas, de diminuição dos gases para  os países ricos é contar com o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que permite a compra de “créditos de carbono” dos países em desenvolvimento, como o Brasil, adotando projetos que comprovadamente reduzam as emissões de gases de efeito estufa nos setores energético, de transporte e florestal, essa é uma solução louvável, mas mesmo assim a cobiça de alguns  está usando esses créditos não para desenvolver tecnologias limpas e meios sustentáveis, mas sim para a sustentabilidade do materialismo alucinado.
E assim caminha a humanidade, até quando?
Mas apesar de tudo, acredito no poder transformador, na força que o caos pode promover, em motivar mudanças favoráveis, acredito que a balança da vida neste planeta possa pelo menos se equilibrar novamente, a humanidade pode ser surpreendente, para o bem e o belo, a vida anseia por nossas decisões pontuadas no bem comum.
           

Autor: Michel Smeja, estudante de Biomedicina 

Orientador: Prof. André Bellin Mariano, D.Sc.


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